quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Qual o traço distintivo da genialidade? Parte II


Ontem referi-me aqui àqueles escritores que baseiam a sua genialidade na imaginação.
Hoje quero referir-me a outro tipo de escritores: aqueles cujo talento se baseia na capacidade de retratar o ser humano na sua individualidade; na sua alma e no seu intelecto; nas emoções e sentimentos. Conhecer interiormente o ser humano, compreender os nossos comportamentos em todas as suas dimensões, explicar os nossos sofrimentos e alegrias, os nossos desejos e anseios mais profundos, são talvez tarefas quiméricas. Mas na literatura como na vida, as quimeras são os faróis que iluminam as auto estradas do comportamento humano.
E da imensa mole de escritores que se aproximaram dessas quimeras e nos deram visões absolutamente geniais da alma humana, destaco aqui alguns que me ficaram na memória como génios intemporais:
Fiodor Dostoievski foi talvez o escritor que melhor conheceu e compreendeu o ser humano em todas as suas dimensões. Ninguém como ele compreendeu a loucura “normal” de O Idiota, a mente criminosa e o remorso em Crime e Castigo, o ser religioso e o misticismo em Os Irmãos Karamazov.
Alguns escritores germanófilos são especialmente dotados deste talento especial para a interioridade: por exemplo Herman Hesse, nessas obras-primas que são Sidartha e O Lobo das Estepes, Gunter Grass no monumental O Tambor.
Num domínio um pouco mais abstracto, talvez mais artístico destaco o imortal William Faulkner.
Na literatura portuguesa não posso deixar de destacar António Lobo Antunes; ele é talvez o escritor luso que melhor conhece a alma humana.

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