sábado, 10 de dezembro de 2011

Qual o traço distintivo da genialidade? Parte III


Em posts anteriores defini como tipos de escritores (a) aqueles que fundam as suas estórias na imaginação, construindo enredos que prendem o leitor pela criatividade e (b) aqueles que se debruçam sobra a natureza do ser humano na sua dimensão individual.
Penso que um terceiro tipo de escritores de ficção pode completar esta espécie de tipologia: (c)aqueles que se debruçam sobre o homem na sua dimensão colectiva. Refiro-me aos romances históricos e a todos os livros que abordam a dimensão histórica, social ou política da humanidade.
Neste tipo tenho de destacar, como paradigmas máximos, Umberto Eco e Franz Kafka.
Umberto Eco, com romances históricos monumentais, como Baudolino, O Cemitério de Praga e, principalmente, O Nome da Rosa é, na minha opinião, o maior mestre deste género.
Quanto a Franz Kafka foi, a meu ver, quem melhor soube entender a submissão do ser humano à autêntica tirania do social. Em O Processo o homem é tiranizado pela burocracia; em O Castelo e A Metamorfose pelo social; em A Grande Muralha da China pelo poder político.
A submissão do homem às super-estruturas sociais e políticas é também superiormente abordada pelos grandes existencialistas franceses como Simone de Beauvoir e Albert Camus, com destaque, a meu ver, para essa obra-prima que é O Estrangeiro. Fora do ambiente existencialista destacaria ainda uma obra fabulosa, de Celine, Viagem ao Fim da Noite.
Em Portugal, este género é superiormente representado por José Saramago.
Devo dizer que tenho uma especial predilecção por estes escritores uma vez que, regra geral a sua escrita é muito interventiva relativamente aos poderes instituídos e às desigualdades que, infelizmente, são apanágio das sociedades humanas.
No entanto, os mestres dos mestres, aqueles que superaram os maiores, são os que pertencem a um quarto grupo, que definirei no próximo texto.
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