terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A Sombra da Águia - Arturo Perez-Reverte


Ler Arturo Perez-Reverte é sempre uma experiência muito gratificante, para quem gosta de suspense e de aventuras. E muito mais gratificante é tratando-se de um dos primeiros romances do escritor espanhol, naquela fase mais “ingénua”, mais pura, dos seus escritos em torno dos seus temas favoritos: a guerra, a honra e a coragem.
Nesta obra, Reverte conta-nos uma história curiosíssima: um grupo de soldados, voluntários e em grande parte mercenários espanhóis alistam-se no exército de Napoleão. A sua ambição é ganhar “algum”, porque fidelidade à causa, isso é coisa que não existe nestes castelhanos que odeiam Napoleão, ao ponto de se referirem a ele de forma sempre depreciativa.
Na Rússia, o exército francês encontra-se às portas de Moscovo. A situação é a mesma que serve de pano de fundo a uma grande parte da obra de Tolstoi, Guerra e Paz. Os exércitos de Napoleão conseguem conquistar Moscovo mas é uma vitória apenas aparente; a partir daí, inicia-se a grande ofensiva russa e Napoleão começa a perder a guerra.
Verificando esta realidade, o contingente espanhol decide desertar. Começam a dirigir-se para o exército russo, a fim de se entregar ao inimigo mas Napoleão entende tudo ao contrário, convencendo-se que os espanhóis estão a empreender uma brava ofensiva sobre os russos.
O enredo torna-se assim hilariante, com os mal-entendidos dos franceses e a forma absurda como os espanhóis não conseguem exercer a sua cobardia, confundidos com heróis que nem eles queriam ser.
Trata-se, portanto, de um livro sem grande fôlego literário, ao contrário de outras obras, verdadeiramente magistrais deste escritor, mas que se lê com imenso agrado, tão emocionante e divertido é o enredo. Sem dúvida, um dos livros mais bem dispostos que li nos últimos tempos.
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