terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Um desabafo de Abraão Forjaz


O livro do post de ontem, O Braço Esquerdo de Deus, faz-me lembrar esta questão: o proprietário deste blogue, convencido da sua superior sabedoria, escreveu aqui há tempo que a minha pessoa devia escrever mais. Bem, é uma opinião… e opiniões cada um tem a sua. A minha é bem diferente! Não falta por aí quem escreva e se uns podem eventualmente pecar por defeito, eu não quero pecar por excesso como esses escrivães de encomenda.
Há por aí tanto escriba que devia estar quietinho à lareira, com uma mantinha em cima dos joelhos! Na verdade, estou a ser injusto. A maioria das pessoas escreve para ganhar a vida. Ou para se encher de dinheiro como os burros se enchem de moscas!
Aqui chegados no nosso raciocínio atingimos o coração do problema: uns escrevem demais e outros escrevem de menos porque as pessoas escrevem mais ou menos conforme as suas motivações: se eu escrevesse por dinheiro, como fazem uns senhores que eu conheço, pois certamente, o atrevido proprietário deste blogue teria aqui quilómetros de epístolas bem condimentadas com figuras de estilo e até apetitosas polémicas.
Indo directamente ao assunto: esses escritores de fachada, que fabricam estórias de fantasia ao quilómetro, são os artistas pimba da literatura; escrevem para vender e o incauto leitor, talvez iludido por estórias da carochinha que o fazem adormecer, lá se deixa levar.
Mas não se pense que sou assim tão dogmático: afinal de contas, se os Paul Hoffman’s querem vender e se o povo quer estórias de embalar, então está tudo muito bem e isto não passa de um desabafo de leitor vencido pelo preconceito…
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