domingo, 22 de maio de 2011

D. Casmurro - Machado de Assis

Que dizer de um dos maiores clássicos da literatura brasileira?
Como ponto de partida, fica o lugar-comum: é uma obra prima!
O aspecto que mais me deliciou ao longo da leitura foi a clareza da linguagem; a forma objectiva, límpida, simples e directa com que Assis nos conta uma bela história de amor e de vida. Nada é supérfluo na narração; não há descrições desnecessárias; e a forma bem disposta como o autor se dirige ao leitor na segunda pessoa do singular – um tratamento por “tu” que nem é comum na expressão brasileira da língua portuguesa. Esta familiaridade com o leitor reforça a feição lúdica da leitura, criando uma notável empatia.
Ao nível do conteúdo, D. Casmurro perpassa todas as grandes angústias que povoam a existência humana: o ciúme, a morte, o adultério, a descrença, fazendo com que amiúde o leitor seja levado a olhar para a sua própria vida, de tal forma estes problemas são materializados em situações comuns.
A história de Bento Santiago é contada na primeira pessoa, desde tenra idade até ao presente do narrador. Bento é um rapaz muito inteligente de uma família aristocrática brasileira em meados do século XIX. Orfão de pai, é destinado pela mãe, em função de uma promessa, ao seminário. Nesta situação desenrola-se o primeiro grande dilema de Bento: como conciliar este destino com o amor ingénuo mas profundo por Capitu. Depois vem a amizade pelo colega de seminário, Escobar que o acompanhará até à tragédia. Mais tarde será o ciúme a atormentar a vida de Bento. E, finalmente, os dramas da morte. E fica a ideia de como o ser humano é capaz de destruir a felicidade ao mesmo tempo que a procura desesperadamente.
Mau grado o dramatismo extremo de algumas situações a leitura mantém-se agradável até ao fim. Dificilmente alguém abandona este livro a meio.
Um dos aspectos mais notáveis deste livro é o retrato social da época; de um Brasil ainda imperial, ainda esclavagista e ainda profundamente marcado por uma religiosidade conservadora e por valores morais muito rígidos. É a este mundo fechado e difícil que Bento sobreviverá, primeiro com todas as belezas de um amor feliz, depois com todo o drama que a existência humana é capaz de enfrentar.
Avaliação Pessoal: 9/10
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