segunda-feira, 16 de maio de 2011

O Homem do Turbante Verde - Mário de Carvalho

Devo dizer que continuo “apaixonado” pela escrita de MdC, devido à sua preciosidade estilística, à sua versatilidade, à riqueza linguística e, acima de tudo, à sua incrível técnica narrativa que faz de MdC, a meu ver, o melhor contador de histórias da literatura portuguesa actual. O recurso a vocábulos pouco comuns é utilizado para reforçar o tom humorístico da escrita.
Este é um livro de contos. Talvez o livro do género que mais apreciei até hoje, excluindo talvez os Contos de Eça de Queirós.
De Mário de Carvalho, qualquer leitor pode dizer: “lê-se bem”. É uma escrita sempre fluida e divertida, mesmo que os assuntos sejam sombrios como é o caso do segundo conto, em que um grupo de arqueólogos empreende uma curiosa expedição à imaginária (julgo eu) terra dos Makalueles. Um a um, todos os exploradores vão morrendo de forma brutal, bem como numerosos nativos. Mas nem por isso o conto deixa de envolver uma leveza de escrita, uma beleza formal impressionante.
Após os dois primeiros contos, as agulhas da narrativa mudam por completo: seguem-se três contos sobre a resistência anti-fascista em Portugal, onde predomina a força de uma luta contra o medo, contra o silêncio negro da ditadura.
Os últimos contos primam pela imaginação, pelo encanto algo surreal de histórias fantásticas. O conto “O Celacanto”, por exemplo, é um exercício prodigioso de criatividade literária. Neste últimos contos, num certo sentido, há um regresso ao início: ao lado sombrio da alma humana. Regressa a violência e a morte. O conto “A longa marcha” envolve uma crueza extrema – toda a violência e toda a desumanidade que pode existir na alma humana; um grito estridente, poderoso, contra o egoísmo assassino que existe no ser humano. Um enorme grito de revolta.
O livro termina com mais uma obra de arte: um conto cheio de humor sobre a mais caricata e ao mesmo normal loucura do ser humano.

imagem daqui.
Avaliação pessoal: 9/10
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