segunda-feira, 20 de junho de 2011

Ratos e Homens - John Steinbeck

Numa obra muito menos ambiciosa do que a obra-prima “As Vinhas da Ira”, John Steinbeck conta-nos a história de George e Lennie, dois homens que percorrem as grandes propriedades agrícolas à procura de cumprir um sonho: juntar dinheiro para um pequeno pedaço de terra onde possam criar coelhos. Ou melhor, onde possam ser livres e trabalhar para eles próprios. George é inteligente e corajoso. Lennie é forte como um touro mas é, na perspectiva do comum dos mortais, um idiota.
Mas a extrema sensibilidade de Steinbeck mostra-nos um Lennie profundamente sensível, uma espécie de criança grande, sujeita a todas as ameaças que a sociedade expõe às almas simples. Esta alma simples, no entanto, é vítima da sua força bruta. O que prevalecerá? O seu coração de criança ou a sua força ameaçadora para aqueles que existem para dominar os outros?
Lennie, na sua inocência, é uma criança. Mas para os poderosos ele é uma ameaça. Um alvo a abater pela sociedade.
À volta de George, outros sonhadores surgem. Mas todos eles encontrarão o desencanto da realidade. Não obstante, como diz o poeta, a primavera é inexorável.
O sonho de George, também ele, será espezinhado. Não morrerá porque ser eterno é apanágio dos sonhos. Fica o sofrimento: a vida dos que percorrem o mundo à procura de uma sobrevivência que só pode ser adornada pelo sonho; a vida de quem só nos sonhos pode ser livre.
Tal como As Vinhas da Ira, este é um livro sobre os limites do sofrimento humano mas também sobre os sonhos que, esses, não conhecem limites. Mas é também uma crónica sombria da maldade e do egoísmo humano; a crónica de um caminho a que alguns chamam “espírito capitalista”. E a que outros chamam exploração do homem pelo homem. Infelizmente, esta é uma mensagem actual.
É um livro pequenino, que se lê com prazer mau grado o sofrimento que nos invade a alma.

Avaliação pessoal: 8/10
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